quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O cavalo do Spielberg - cultura - versaoimpressa - Estadão

O cavalo do Spielberg - cultura - versaoimpressa - Estadão:

O cavalo do Spielberg

01 de fevereiro de 2012 | 3h 09
Roberto DaMatta - O Estado de S.Paulo

Assisti ao Cavalo de Guerra. Havia tempo que eu não tomava parte do estranho ritual de ir ao cinema para participar da exibição mecânica de um drama que independe de quem o assiste. Pois diferentemente de outros rituais de desempenho - como as celebrações religiosas, cívicas e teatrais - onde os oficiantes dependem da cumplicidade dos espectadores, no cinema somente a plateia pode atrapalhar-se a si mesma, falando alto ou chegando atrasada. O que não atinge o filme que, indiferente como um meteoro, "passa" transformando fotografias mortas numa narrativa viva.

Invejei Steven Spielberg por ter inventado mais um cavalo para a nossa extensa mitologia equestre. Tínhamos o de Troia, o de batalha (que ocorre todo dia no Brasil); o Trigger, do Roy Rogers, um remoto caubói; o Silver, o cavalo prateado do Zorro ex-amigo do Tonto (um índio); e, para terminar uma formidável lista, o cavalo branco de São Jorge que Napoleão, com sua megalomania digna dos presidentes republicanos, tentou roubar. Eis uma modesta mostra de como o cavalo desempenha, ao lado do cachorro, um denso papel na nossa imaginação.

O cavalo detém a força do puro poder e da mobilidade, ao lado de uma contida e disciplinada imponência, ausente nos cães mais indômitos. Mesmo no papel humilde de puxador de um veículo, o cavalo chama atenção pela sua obediência tranquila. Dele é aquele ar bovino, aquele sossego das sujeições serenas: feliz com os seus limites e ciente do seu papel. Mas é dele também o poder de chegar rapidamente a algum destino. Os cavalos permitem voar e alguns são alados...

Ser dono de um cavalo ou montá-lo é sinal claro daquela liberdade igualmente contida da nobreza, como mostra a melhor sociologia do cavalo que li até hoje, a de Câmara Cascudo.

Hoje em dia não temos mais cavalos, diria um leitor cético diante de minhas baboseiras etnológicas. Verdade, mas nas nossas garagens estão centenas de "cavalos de força" devidamente encurralados nos nossos automóveis. Temos centenas de cavalos prontos para galopar sincronizada e perigosamente - em cima dos outros quando nos movemos pra valer!

E continuamos a ter cavalos de guerra que lutam contra ladrões, marginais ou subversivos que infestam nossas cidades mal planejadas e sem fiscalização que julgamos protegidas por São Jorge, o santo inglês que, como diz Gilberto Freyre, tornou-se popularíssimo no Brasil por ser um santo montado num país de escravos a pé e de aristocratas falsos, preguiçosos e gordos. Mais preocupados - como ocorre até hoje - com suas famílias do que com o seu povo.

Esse cavalo de batalha não teme dragões. Ademais, ele é também o símbolo, como assinala o sociólogo Thorstein Veblen na sua pioneira teoria do consumo como um traço básico da identidade social no capitalismo - um penhor de consumo conspícuo ou supérfluo. Um consumo como expressão de posição social e não de necessidade. Sobretudo no papel de "cavalo de corrida".

Dominar um cavalo fazia parte do treinamento dos nobres. Quem mandava num cavalo sabia comandar pessoas. O cavalo eleva e dá capacidade ao seu dono, servindo como perfeita metáfora para uma suposta (ou imposta) superioridade social. Que o leitor preste atenção nas estátuas equestres. Nelas, quanto mais importante o herói, mais sua montaria tem as patas levantadas; e, quanto mais patas no ar, em atitude de movimento grandioso, mais heroico é o gesto e o personagem.

Um dado empolgante da mitologia do cavalo é a sua identidade com o cavaleiro. Quando os dois formam uma só pessoa (ou "conjunto"), como ocorre nas provas equestres, verifica-se um grau de simultaneidade que torna difícil não ver a montaria e o montador como uma só pessoa. Foi assim que os astecas avistaram os espanhóis que os conquistaram e dizimaram.

Essa figura do cavalo como símbolo de poder - como animal de trabalho e como montaria que passa a ser uma arma quando os seus donos entram em guerra - foi o que mais me tocou no filme. Pois o que a narrativa de Spielberg realiza, em estilo de John Ford, é mostrar como cada um dos seus "donos" o vê como uma projeção de si mesmos.

Joey (esse é o nome do cavalo herói) é construído e constrói o seu primeiro e "verdadeiro" dono, o rapaz que se vê obrigado a treiná-lo como besta de trabalho; seu segundo dono é um oficial inglês de Cavalaria que o usa como uma arma de guerra; depois chega a vez de "pertencer" a uma menina francesa e doente que o torna parte de suas delicadas fantasias de adolescente; daí, Joey é de um duro, mas sensível sargento encarregado de puxar canhões para o Exército alemão; até que, aterrorizado e perdido na terra de ninguém e de todos os horrores humanos que é a guerra, o cavalo tenta escapar somente para ficar embaralhado nos arames farpados - típicos de nosso modo de viver - que dividem ingleses e alemães.

Então Joey fica como todos nós ficamos quando a vida nos leva para a terra enlevada do sofrimento, dos pesadelos, das lágrimas e da solidão.

É justamente nesse momento que Joey se torna cavalo e, assim, como o "outro" tanto dos ingleses quanto dos alemães, ele neutraliza a guerra, fazendo com que dois soldados inimigos que tornem parceiros na tarefa de libertar e salvar esse "outro do outro", como diz Viveiros de Castro. Eis a melhor cena do filme e um dos momentos mais belos que vi no cinema. Pois quem somos nós, autointitulados humanos, senão meros cavalos igualmente passando de mão em mão e servindo como veículos para que a vida possa ocorrer por meio de nossas existências?

Civilização e barbárie na ocupação do Pinheirinho

01 de fevereiro de 2012 | 3h 09

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo

Josef Stalin morreu, já não se fala em "centralismo democrático" como antigamente, mas a prática da obediência à palavra de ordem emanada do Comitê Central permanece viva, uma chama acesa a incendiar não mais os corações e mentes dos seres humanos, mas a velha e boa ordem da democracia burguesa. Antigamente o militante recebia o nome do candidato que tinha de sufragar na eleição por baixo da porta, por cuja fresta também chegava a palavra de ordem da ocasião. E a palavra de ordem do momento é "pau neles!" Vale a metáfora e também vale o sentido literal: em artigos em jornais e até no púlpito presidencial, a reintegração de posse do terreno pertencente à massa falida do "megaespeculador" Naji Nahas invadido há oito anos e, desde então, progressiva e definitivamente ocupado por sem-teto é um ato brutal contra um punhado de desvalidos da terra. O discurso é duro, a causa é nobre. Mas a palavra é débil: estamos num ano eleitoral e é preciso partir para o desforço físico, que machuca o adversário e introduz o protesto no noticiário do dia.

"A falta de ação política positiva, capaz de gerar consensos e soluções, ficou evidente no Pinheirinho", escreveu nesta página o professor titular de Teoria Política e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp, Marco Aurélio Nogueira. Seu artigo publicado sábado 28 de janeiro está carregado de correção política e legitimidade acadêmica. Falta-lhe, contudo, verdade histórica. O professor se condói da situação dos 6 mil desabrigados pela força policial. Qualquer um o faria. É uma terrível injustiça esses trabalhadores não terem onde morar e o Estado brasileiro, representado pelos governos federal, estaduais e municipais, não dispor de nada que se possa chamar de uma política capaz de reduzir nosso vergonhoso déficit habitacional. O mestre relatou que "município, Estado e União assistiram ao crescimento do bairro e nada fizeram para gerenciar o que ali se estava gestando". Apoiado! A omissão da autoridade, contudo, não pode ser corrigida com outra: vige no Brasil o Estado Democrático de Direito, o império da lei. Pratica-se a propriedade privada e a democracia se realiza na obediência à lei interpretada pelo juiz: a Justiça mandou entregar o terreno de volta aos donos. Cabia ao governador mandar cumprir a ordem judicial. Só isso.

A polícia exorbitou? Ninguém percebeu a fotografia publicada nos jornais de uma tropa armada de paus e pedras para defender direitos inexistentes sobre solo alheio? Ninguém, de sã consciência, esperava que tropas policiais enfrentassem esses resistentes levando flores no cano de fuzis, em vez de baionetas. Um crítico isento aplaude o fato de a Polícia Militar (PM) paulista ter conseguido desarmar aquela resistência sem derramar sangue de ninguém e, sobretudo, sem produzir um cadáver. Em ano eleitoral, sangue e cadáveres costumam interferir em resultados de urnas. A invasão sangrenta da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) às vésperas dos pleitos municipais de 1988 ajudou a eleger Luiza Erundina (PT) prefeita de São Paulo, a 400 quilômetros de Volta Redonda (RJ).

Em Porto Alegre (RS) a presidente da República, Dilma Rousseff, manifestou-se uma oitava acima da crítica do professor sobre o assunto. Classificou de "barbárie" a ação policial e garantiu que nunca algo similar será praticado pelo governo federal sob suas ordens. O compromisso é uma tautologia enganadora, mais do que isso, uma verdade óbvia e insidiosa, pois essa não é uma tarefa atribuída pela ordem constitucional ao âmbito federal, mas uma obrigação estadual. A autoridade encarregada de empregar a força para fazer valerem decisões judiciais é da Polícia Militar, subordinada a governadores. Ou seja, Sua Excelência, com a devida vênia, prometeu o que cumprirá porque não lhe diz respeito algum.

Já a definição presidencial da operação ordenada pelo adversário político é simplesmente errada. Bárbara não foi a ação policial que desocupou o terreno, mas a situação social e a omissão governamental (muito bem descrita pelo professor Nogueira) que permitiram sua ocupação sem autorização do legítimo dono. Pode-se discutir se a PM paulista usou mais ou menos violência do que o necessário para fazer a ordem judicial ser cumprida. Mas negar à Justiça, na democracia, o uso do braço forte para obrigar quem viola a lei a se enquadrar em seus cânones é desconhecer o princípio básico da ordem democrática. Se não for um excesso de irreverência, talvez seja o caso de dizer que falou mais alto no coração da chefe (ou ela preferiria chefa?) de Estado seu passado de militante do que seu juramento de fazer cumprir a Constituição.

Agora, já que a presidente falou em barbárie, ou seja, no estágio anterior ao convívio civilizado dos humanos, convém alertá-la de que bárbaros são os militantes que tentaram impedir a saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), da Sé, na festa do aniversário da cidade, e do secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC), a pretexto de protestarem contra a desocupação da comunidade. Kassab administra um município a 100 quilômetros de distância do território conflagrado. Foi agredido gratuitamente, portanto, à saída da catedral, e numa praça onde se realizaram grandes encontros cívicos pela conquista da liberdade de pensar, agir e empreender. Matarazzo é titular de uma pasta responsável por teatros, museus, oficinas e salas de espetáculos e tem tanto que ver com o episódio de São José dos Campos quanto o bei de Túnis ou o califa de Bagdá. O desforço físico é a tentativa, essa, sim, bárbara de compensar a influência que a população nega nas urnas aos grupelhos de esquerda que plantam barracos em áreas proibidas para colherem sangue e cadáveres em ano de eleições.

O saber do mestre e a imensa popularidade da presidente não conseguirão atenuar a barbárie de quem, não tendo votos, recorre a paus, pedras e ovos para tentar impor seus argumentos.

*Jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Grã-Bretanha enviará moderno navio de guerra às Ilhas Malvinas - internacional - geral - Estadão

Grã-Bretanha enviará moderno navio de guerra às Ilhas Malvinas - internacional - geral - Estadão: "HMS Dauntless"

Efe

LONDRES - A Grã-Bretanha enviará às ilhas Malvinas nos próximos meses um dos navios de guerra mais modernos da Marinha Real, informou nesta terça-feira, 31, o Ministério de Defesa britânico. Trata-se do destroier HMS Dauntless, que nos partir em direção ao Atlântico Sul e substituirá a fragata britânica HMS Montrose, disse um porta-voz da pasta.

HMS Dauntless (à frente) é um destroier modelo 45, que pode levar helicópteros militares - Ian Simpson/Efe
Ian Simpson/Efe
HMS Dauntless (à frente) é um destroier modelo 45, que pode levar helicópteros militares

De acordo com o ministério, a troca de embarcações já estava programada, mas ocorre em um momento de tensão entre o Reino Unido e a Argentina pela soberania das ilhas, com a proximidade do 30º aniversário da guerra que os dois países mantiveram.

"A Marinha Real teve uma contínua presença no Atlântico Sul durante muitos anos. O envio do HMS Dauntless ao Atlântico Sul estava planejado há muito tempo, é (uma medida de) rotina, de substituição a outro navio de patrulha", afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa.

O HMS Dauntless é um dos seis novos destróieres com que a Marinha britânica conta e é equipado com um avançado sistema de navegação que dificulta sua detecção por radar. Estes navios têm ainda mísseis antiaéreos de alta tecnologia e podem transportar cerca de 60 militares, além de poder acomodar helicópteros tipo Chinook.

Tensões

As relações entre Grã-Bretanha e Argentina atravessam um momento de tensão, especialmente desde que vários países latino-americanos decidiram bloquear a entrada de navios com bandeira das ilhas do Atlântico Sul em seus portos. Em uma cúpula realizada em dezembro em Montevidéu, os países do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - acertaram impedir o acesso destes navios.

Diante desta situação, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, informou há 14 dias ao Parlamento que tinha convocado o Conselho Nacional de Segurança para tratar da situação e acusou a Argentina de "colonialismo" por reivindicar a soberania das ilhas. O governo argentino considerou "ofensiva" a declaração de Cameron, que insiste que respeita a vontade dos habitantes da ilha de manter a soberania britânica.

Neste ano completam-se 30 anos da guerra entre os dois países pela posse das Malvinas, que terminou em 14 de junho de 1982 com a rendição da Argentina. No conflito bélico morreram 255 militares britânicos e mais de 650 argentinos.

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1233054/HMS-Dauntless-How-Britains-new-1bn-super-ship-isnt-working-order.html


HMS Whoops! It's Britain's new £1bn super-ship,with iPod stations and luxury quarters. One problem... the state-of-the-art missiles don't work

By ROBERT HARDMAN

Last updated at 9:14 AM on 4th December 2009


At last, the Royal Navy has something to cheer about. As of today, it has a new and suitably menacing £1 billion ship which should form a central plank of Britain's defences for the next 30 years.

Yesterday morning, with the top brass assembled on a Portsmouth quayside, a chap from British Aerospace handed over the keys to one of the most advanced ships in the world and a chap in a uniform raised the Royal Navy's white ensign. HMS Dauntless is now part of the Fleet. Watch your step, Johnny Foreigner . . .

Well, actually, don't worry yourself too much just yet. Dauntless is the second of six Type 45 destroyers which have been commissioned to protect the Royal Navy from pretty much any airborne threat the world can throw at it in the near future. The only problem is that its main armament doesn't work.

The so-called Sea Viper missile system, which is being designed in partnership with the French and Italians, is proving to be more of a sea sloth. The Sea Viper system constitutes a whopping £400million of the £1 billion cost of each Type 45 destroyer. And it should have been up and running by now.

HMS Dauntless

In theory, its computers should be capable of monitoring 300 aircraft or missiles at the same time and whacking 48 missiles the size of a small car at anything hostile up to 250 miles away.

If something like this had been around during the Falklands War, the entire fleet would have returned unscathed. But recent missile tests off the South of France (it's not all topless beaches and oligarchs, you know) have been disappointing to say the least.

'We understand that there have been a number of test failures which are putting Sea Viper back by months or even a year,' says Jon Rosamond, editor of Jane's Navy International magazine.

According to the Ministry of Defence, Sea Viper is simply 'undergoing a rigorous test programme to ensure that all aspects of this complex system have been thoroughly trialled'. Sea Viper's problems are in marked contrast to Dauntless itself, which has emerged from sea trials with a glowing report.

'The ship has exceeded expectations in terms of speed and fuel efficiency,' adds Mr Rosamond. 'And it certainly has some interesting features.'

These range from a 'stealth' hull design, which makes this 500 ft monster look no bigger than a trawler on the enemy's radar, to all sorts of innovative mod cons for the crew.

Enlarge The Royal Navy's newest warship, HMS Dauntless, enters her home port of Portsmouth for the first time.

Dwarfing the harbour's buildings, the Royal Navy's newest warship entered her home port of Portsmouth for the first time this week

Enlarge dauntless undergoing sea trials

The ship went through extensive sea trials after being launched from the Govan shipyard on the Clyde

T4501 dauntless

The Type 45 is 90ft longer and twice as heavy as the Type 42 destroyer which it is replacing. The hull alone weighs more than the Blackpool Tower (even the paint weighs 40 tons) while two Rolls-Royce gas turbines drive a power plant capable of lighting a town the size of Barnsley

Like its sister ship, HMS Daring, Dauntless is fitted with iPod chargers, internet connections and the most luxurious accommodation in any of the Royal Navy's 99 ships and four submarines.

'We have been conscious for some time that the conditions in some of our older ships are not all they might be,' acknowledges a spokesman.

Luxury, of course, is a relative concept in the Royal Navy. It means, say, six men to a cabin instead of 30 and a generous ratio of 4:1 in the loo department (or 'heads', as they say at sea).

The Type 45 is 90ft longer and twice as heavy as the Type 42 destroyer which it is replacing. The hull alone weighs more than the Blackpool Tower (even the paint weighs 40 tons) while two Rolls-Royce gas turbines drive a power plant capable of lighting a town the size of Barnsley.

But it all involves a substantially reduced crew of 190 compared to the 301 required to operate a Type 42. That means considerably more room for things like a gym and extra recreational space.

When the Sea Viper system has finally been sorted out, Dauntless and Daring - and fellow ships Diamond, Dragon, Defender and Duncan, which are at various stages of build - will be the most advanced destroyers afloat. Other firepower includes a Phalanx CIWS (Close-In Weapons System) which can fire a last-ditch bombardment of 4,500 cannon rounds per minute at anything which manages to slip past Sea Viper.

Old sea dogs will also be pleased to see that she also has a great big gun on the front. There is nothing old-fashioned about this 4.5 inch cannon, however.

HMS Dauntless - the second of six new formidable air defence warships - was handed over to the Ministry Of Defence at a ceremony in Portsmouth today.

During a ceremony on the ship's flight deck, the BAE company flag was lowered and the Royal Navy's White Ensign raised. Navy ships and submarines wear the Ensign at all times when underway

It is remote-controlled and can fire 25 shells per minute on to a position 13 miles away. It has already been reported - and not denied - that at least one of these ships will be deployed in the Thames Estuary to guard the 2012 Olympics.

If so, it will certainly help to boost the Royal Navy's profile after a series of recent embarrassments. Its refusal to intervene in the recent kidnapping of the British couple, Paul and Rachel Chandler, by Somali pirates has only been compounded by some increasingly shifty excuses from the Ministry of Defence.

This episode, in turn, has echoes of the national humiliation, in 2007, when eight Royal Marines and seven sailors meekly surrendered to an Iranian gunboat in the Persian Gulf without offering resistance.

To make matters worse, two of the sailors were then authorised to sell their stories while it emerged that an Australian naval unit in an identical situation in the same waters had seen off an Iranian boarding party merely by pointing guns at them and swearing.

Traditionalists put the blame squarely at the top and say that the rot set in during the 2005 bicentenary of the Battle of Trafalgar, when the Navy insisted on staging a politically correct reenactment of Nelson's triumph. The mock battle featured a 'red fleet' and a 'blue fleet' to avoid offending the French.

That decision was taken by the (then) First Sea Lord, Sir Alan West, who accepted a peerage from Gordon Brown two years later and now sits in the Lords. After such a daunting few years, perhaps the arrival of HMS Dauntless can mark a bold new chapter in the fortunes of our Senior Service.




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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

J. Edgard - Luiz Zanin - Estadao.com.br

J. Edgard - Luiz Zanin - Estadao.com.br:

J. Edgard

J. Edgard Hoover foi um personagem para lá de controverso na história dos Estados Unidos. Construindo e presidindo o FBI durante 40 anos, até fazer do “Bureau”a potência que é hoje, Hoover tornou-se um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos ao longo de décadas. Alguns diriam que era o mais poderoso, mais do que alguns presidentes. Anticomunista feroz, não tinha escrúpulos em acumular provas contra adversários e usá-las na hora adequada. Se não havia fatos, ele os forjava. Detestado pelos Kennedy, tentou intimidar até mesmo o reverendo Martin Luther King. Nixon não podia vê-lo pela frente. Mas, em especial durante a Guerra Fria, boa parte da opinião pública americana comprava a ideia de segurança que Hoover vendeu durante tanto tempo – a de que o preço da liberdade era não apenas a eterna vigilância, mas o combate sem trégua contra o inimigo interno. Esse é o difícil personagem retratado por Clint Eastwood em J. Edgard, seu novo filme.

Quem encarna o personagem, de maneira brilhante e sob maquiagem pesada, é Leonardo DiCaprio, ator que já provou algumas vezes ser mais que um rosto bonito. Parece gostar de experiências cinematográficas de risco e de personagens difíceis, como quando viveu o excêntrico milionário Howard Hughes em O Aviador, de Martin Scorsese.

De certa, forma, colocar-se na pele de Hughes funcionou para DiCaprio como laboratório para viver Hoover. São imersões no que o ser humano poderoso pode ter de estranho. Ele próprio se ofereceu, quando soube que Clint estava pensando em retratar na tela a vida do chefão do FBI. O diretor não hesitou em aceitá-lo para o papel. Acertou em cheio. O DiCaprio que se vê no cinema parece talhado para interpretar um tipo sombrio, complicado, cheio de nuances.

Como saiu esse retrato de Hoover pintado por Clint e encarnado por DiCaprio? Como o de alguém traumatizado pelos atentados de Washington, de 1919 (que culminaram com a expulsão da anarquista Emma Goldman do país), fascinado pela mãe (em grande atuação de Judi Dench) e incapaz de assumir a própria sexualidade. Alguém com mania de pesquisa e catalogação, que começa por instituir um eficiente sistema para localizar livros em uma biblioteca e termina por montar um arquivo de pessoas abrangendo toda a nação. Isso num tempo em que o computador era apenas uma fantasia da ficção científica.

Essa obsessão por controle parece um dos pontos-chave para compreender o personagem proposto por Clint. Se a sua vida pessoal e amorosa é um caos, Hoover tenta impor ao país uma ordem absoluta, que não contempla espaço para dissidências ou surpresas. Claro, a segurança total não passa de delírio e quem se submete a essa ilusão mostra-se disposto a sacrificar parcelas enormes da sua liberdade para tentar consegui-la. Hábil manipulador do sentimento do medo, Hoover manteve-se no poder até a morte. Dirigiu o FBI de 1924 a 1972. Mas não foi feliz. É, pelo menos, o que sustenta o notável filme de Clint Eastwood.

(Continuação)

Para contar a sua história, Clint monta um dispositivo narrativo confortável. Hoover, já velho, dita suas memórias a um estagiário do FBI. Desse modo, o filme pode alternar vários tempos da narrativa, indo do personagem idoso, que faz o balanço de sua carreira e vida, ao iniciante tímido, porém muito ambicioso, que revoluciona os procedimentos policiais de sua época.

Para se ter ideia das inovações que promoveu, basta lembrar que a prática de manter um arquivo de impressões digitais, hoje corriqueira, foi introduzida por Hoover sob o olhar cético dos colegas mais velhos. Foi ele também quem introduziu a prática de escutas clandestinas com a finalidade de acumular provas não apenas contra tipos suspeitos, mas contra possíveis adversários políticos.

Vitórias e derrotas se sucedem, sob o olhar do espectador. O J. Edgard Hoover que acumula poder por seu combate contra os gângsteres do tempo da Lei Seca é o mesmo que fracassa no sequestro do filho de Charles Lindbergh (o aviador que realizou a travessia aérea obre o Atlântico, da Europa aos Estados Unidos), um dos casos mais rumoroso da época. Captura o suposto criminoso, mas não é capaz de salvar a vida da criança. Nesse ponto, a narrativa ficcional é enriquecida com cenas de arquivo da época.

A dedicação de Hoover ao trabalho tem a contrapartida na pobreza e ambivalência da sua vida amorosa, com a desastrada tentativa de aproximação com a mulher que depois se tornaria sua secretária de confiança, Helen Gandy (Naomi Watts). E, em especial, a admiração que nutre pelo classudo colega Clyde Tolson (Armie Hammer), num relacionamento que avança para além das fronteiras profissionais. Aliás, uma das sequências mais fortes do filme é a cena de ciúmes entre os dois, quando Hoover anuncia que pretende se casar com a atriz Dorothy Lamour com a finalidade de compor a figura de pai de família completo e socialmente aceitável aos olhos dos americanos.

Outra, é quando a dupla de amigos, já envelhecida, toma o café da manhã. Tolson e Hoover comem seus ovos cozidos e um implica com o outro. Como faria um velho casal. Tolson sofrera um AVC e falava com dificuldade. Fora atingido justamente naquilo que Hoover mais admirava nele, a nobreza de sua fala, associada à classe social superior e a uma educação de elite. A sutileza dessa cena diz muito sobre a natureza do relacionamento entre Hoover e Tolson.

Desse modo, a reconstrução da vida de J. Edgard Hoover terá muito de revelação e muito de farsa, a começar pelo fato de ser ele o narrador das próprias memórias e, portanto, uma testemunha permanentemente sob suspeita. Cria sua verdade particular, mas será desmentido aqui e ali pelos fatos expostos e por seu próprio parceiro, Tolson, o primeiro a lhe jogar na cara a tentativa canhestra de embelezar sua biografia.

Tudo é ambiguidade nesse filme tão notável quanto incômodo, o que pode explicar o fato de ter sido solenemente ignorado pelo Oscar. Não recebeu sequer uma indicação. Sintoma, talvez, de que possa ter tocado alguma ferida incômoda na memória histórica do país. O silêncio do Oscar pode bem ser uma homenagem indireta a Clint e a seu filme.

A empresa que copiava

A Xerox, que virou sinônimo do fotocópia, agora quer conquistar o consumidor final com impressoras pequenas e baratas

29 de janeiro de 2012 | 23h 12

Cátia Luz, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - No fim do ano passado, o mercado brasileiro serviu de campo de prova para a Xerox global. O País foi escolhido para ser o primeiro a lançar a nova linha de impressoras de baixo custo desenvolvida pela empresa. Em novembro, chegaram às revendas da marca sete novos modelos - menores que os habituais, com um maior apelo de design e preços a partir de R$ 269. A ação dava início a uma aproximação da Xerox, tradicionalmente relacionada às grandes e médias empresas, ao consumidor comum.

Nesta semana, a gigante americana, dona de um faturamento global de US$ 23 bilhões, prepara-se para dar mais um passo na direção do cliente doméstico. Acostumada a vender seus produtos a partir de uma rede de revendas especializadas em informática e de sete distribuidores, a Xerox vai passar a oferecer a nova linha de impressoras no grande varejo. A empresa já fechou acordo com três varejistas - Magazine Luiza, Walmart e o site Comprafácil - e mantém negociações com pelo menos mais quatro redes. "É abertura de um novo mercado, em que há muito espaço para crescer", afirma Ricardo Karbage, em sua primeira entrevista após assumir a presidência da empresa no Brasil.

A incursão não é a primeira da Xerox ao "grande público" no Brasil. No final de 2007, com direito à estreia na megaloja Super Casas Bahia, a empresa líder em gerenciamento de documentos começou a vender no varejo quatro impressoras compactas. Mas a experiência durou pouco. "Recuamos depois dos primeiros sinais da crise mundial", diz Karbage. Desta vez, ele garante, o rumo será diferente. "Uma das coisas que a gente aprendeu com esse episódio é que precisávamos ser mais competitivos. Agora temos produto para isso", complementa.

A Xerox gosta de dizer - e está até na apresentação da empresa em seu site - que a única coisa previsível no mundo dos negócios é que ele é fundamentalmente imprevisível. Até pouco tempo atrás, a companhia americana estava à beira da falência, algo impensável para uma marca que virou sinônimo de copiadoras. Mas a Xerox se reergueu. E agora busca novos caminhos no mundo. No Brasil, um deles é se aproximar do consumidor com impressoras de baixo custo.

Nesse novo segmento, ela vai disputar terreno com marcas já conhecidas do usuário final. No Brasil, considerando varejo e mercado corporativo, a HP é líder em número de impressoras vendidas. Segundo estimativas do Gartner Dataquest fornecidas pelas empresas, a HP deve ter fechado o ano passado com 65% do segmento de jato de tinta, seguida pela Epson, com 20%. Já em impressão a laser, tecnologia da qual faz parte a nova linha de produtos da Xerox, a HP deve ter sido responsável por metade das máquinas comercializadas, seguida por Samsung.

Última grande fabricante a entrar no varejo nesse segmento, a empresa coreana conquistou em sete anos uma participação de cerca de 25%. "No nosso caso, ter uma marca forte, presente em outros mercados, como os de TVs, celulares, e computadores, ajudou bastante", explica João Hiroshi, gerente sênior de produtos da Samsung. "Mas só marca forte não adianta. A facilidade de uso é o principal critério", acrescenta.

O aumento da competição no mercado brasileiro e de outros emergentes justifica-se nas taxas de expansão do setor nesses países. Segundo a consultoria IDC, enquanto no Japão o mercado recuou 3% em 2010, Rússia, Brasil e China exibiram taxas de mais de 20%. "A base de tecnologia no País se formou nos últimos cinco anos, com os brasileiros comprando o primeiro PC ou a primeira câmera digital", diz Bruno Freitas, do IDC. "Boa parte desses consumidores chega à primeira impressora agora".

Kao Mei I, gerente de negócios da Epson, diz que sempre cabe uma nova empresa no mercado, mas que a briga nas prateleiras é acirrada. "Ninguém desenvolveu a ‘Apple das impressoras’. Nenhuma conseguiu ser objeto de desejo; impressora é sempre um acessório", diz Kao. Para ser relevante, um novo concorrente, além de produto, tem de ter fôlego pra investir em comunicação e ponto de venda, segundo a executiva. "E dar ao consumidor conveniência na hora de comprar suprimentos é fundamental e custa caro."

Para entrar na disputa, a Xerox promete triplicar os investimentos em marketing. Em um primeiro momento, a venda de toner vai ficar a cargo da loja online da companhia e de suas 2,5 mil revendas. O esquema de vendas dos suprimentos é vital para a lógica do negócio. "Vamos crescer pelo menos 10% neste ano. Temos uma série de indicadores que apontam uma ótima tendência de futuro, já que o aumento da escala de impressoras é seguido pela expansão das receitas de suprimentos", explica Ricardo Karbage, presidente da Xérox.

A investida no grande varejo só se tornou possível com o desenvolvimento de uma nova tecnologia, que deixou as impressoras mais baratas. Criado a partir do convênio entre Xerox do Brasil e Fuji Xerox (joint venture da Xerox na Ásia), o novo sistema substituiu o canhão de laser convencional por LED, o que permite a diminuição de peças móveis da impressora. Com isso, reduziu-se as etapas de produção e, por consequência, o custo.

A linha de produtos foi ainda concebida para trazer vantagens na cadeia logística: os volumes diminuíram para otimizar o frete. "Os navios saíam da Ásia, passavam pela Europa ou pelos Estados Unidos, para só depois chegar aqui. Agora, eles vêm diretamente", diz Karbage. "Todas essas mudanças geraram uma queda de custo de cerca de 15% na logística." Antes das modificações, os custos de importação e de logística, segundo o executivo, impediam a empresa de brigar por espaço nas prateleiras.

Nova gestão. A entrada no varejo é apenas uma das missões do novo presidente, que chegou ao País na semana passada, após deixar o comando da empresa no Chile para assumir o posto brasileiro. Na quinta-feira, o carioca Ricardo Karbage cumpriu o primeiro dia de expediente no escritório de São Paulo, onde decidiu morar, em função do grande volume de negócios na capital paulista. A sede da empresa é no Rio de Janeiro.

Há mais de 20 anos na empresa, Karbage começou como estagiário e passou pelas mais diferentes funções, tanto na área comercial quanto na de tecnologia. É o primeiro presidente brasileiro a assumir a companhia em dez anos, ocupando o cargo deixado pelo israelense Yoram Levanon, que passou à presidência da divisão Europa Central, Leste Europeu, Turquia e Israel.

O objetivo do executivo é consolidar o Brasil como uma das principais operações entre os emergentes. Além de aumentar o foco nos usuários domésticos e em pequenas e médias empresas, Karbage tem a tarefa de acelerar a expansão da companhia na área de serviços, que responde por cerca de metade do faturamento mundial da empresa - a Xerox não divulga dados financeiros relativos à operação brasileira. Para isso, o novo presidente já está em busca de oportunidades de aquisição no País.

A possível compra faz parte da estratégia mundial de reforçar a terceirização de processos de negócios, área que a Xerox mundial reforçou após a compra em 2010 da Affiliated Computer Services (ACS), por US$ 6,4 bilhões. A ACS é uma das maiores empresas mundiais desse setor.

A aquisição trouxe para o portfólio serviços como gestão de tráfego urbano (nos Estados Unidos, as prefeituras da Filadélfia e de Los Angeles são clientes da ACS), gestão de parquímetros (dispositivo usado para controle de estacionamento rotativo em vias públicas) e de sistemas de cobrança de pedágio.

Para Karbage, companhias de telecomunicações, de transportes e governos estaduais que se preparam para sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014 serão pontos de destaque no radar dos potenciais clientes dos serviços da companhia a partir de agora. Em um mundo em que o xerox já quase não existe, diversificar os negócios virou técnica de sobrevivência para a Xerox.

Liberdade, em papel ou eletrônica

30 de janeiro de 2012 | 3h 05
Alexandre Barros - O Estado de S.Paulo

Tive recentemente a primeira experiência de ler um livro integralmente na tela. E acho que vale a pena compartilhar com você, leitor.

Li no Estadão (19/11/2011) a crítica do livro Em Casa - Uma Breve História da Vida Doméstica (Companhia das Letras), de Bill Bryson, um americano que viveu quase 30 anos na Inglaterra e lá comprou uma casa vitoriana. Bryson resolveu estudar a história da casa e acabou produzindo um excelente texto sobre a história das moradias desde a Idade da Pedra até os nossos dias. O principal foco é a arquitetura inglesa.

Busquei o livro na internet e o achei numa biblioteca americana, na qual estou matriculado, de onde poderia tomá-lo emprestado. Até aí, nada de mais. Pedi, então, um exemplar e recebi um e-mail avisando que uma cópia estaria disponível no meu computador (cadastrado na biblioteca) por 14 dias. Em tempo: trata-se de um computador, não de um tablet, mas tudo o que aqui descrevo se aplica ao uso de um tablet (mas não para leitores exclusivos como o Kindle).

Comecei a lê-lo e, como aprendi depois lendo outras obras de Bryson, de quem virei fã, o livro tende a ser agradavelmente enciclopédico e exaustivo, contando as histórias interessantes sobre temas que a maioria dos professores insiste em ensinar da maneira mais enfadonha e ineficiente possível. Quem começa a ler um livro enciclopédico na tela se depara com muita coisa da qual nunca ouvira falar. Se esse livro fala de habitações desde a Idade da Pedra até o século 20, a coisa se complica mais ainda.

Aqui vem o que, para mim, foi inédito - e confesso que nunca havia lido nada sobre usar o computador e a internet para livros do ponto de vista que passo a descrever. Apareciam referências aos mais diferentes estilos arquitetônicos, desde as cavernas até os equipamentos utilizados para tornar as moradias mais confortáveis, mais quentes no inverno e mais amenas no verão, e tudo isso envolvia termos que eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Sem pensar, quase instintivamente, quando me deparava com essa situação clicava em meia dúzia de teclas e pulava para o Google (em especial para as imagens) ou, para mais detalhes, para a Wikipédia.

Foi aí que se abriu um mundo novo para este leitor com 69 anos de carreira. Todas as casas, coisas, ferramentas e tecnologias apareciam, aos toques, maravilhosas, em cores, como se eu estivesse lendo um livro infinitamente ilustrado. Simples, não?

Essa foi a mais fantástica descoberta de um uso ainda desconhecido das ferramentas mais básicas da informação na internet. Consegui transformar a experiência de ler uma excelente obra toda em texto, especialmente usando a busca de imagens, num livro exaustivamente ilustrado, que, se fosse de papel, teria consumido, seguramente, três ou quatro vezes mais páginas do que as que foram usadas somente nesse texto.

A ajuda eletrônica para ilustrar a leitura foi uma experiência fantástica. Ignoro quantos leitores já tiveram essa experiência, mas para mim foi inédita e excelente.

Comentei com um amigo, que, ceticamente, me disse ser perfeitamente possível fazer isso lendo um livro de papel e indo ao computador cada vez que precisasse de uma ilustração. Claro que isso é possível, mas a rapidez e o automatismo de estar lendo na tela e com meia dúzia de toques chegar a um mundo fascinante de imagens novas eram inéditos para mim.

Isso para um leitor a quem o máximo de ilustrações permitidas na infância e na juventude foram uns bicos de pena de reis famosos com perucas encaracoladas e as ilustrações da coleção infantil de Monteiro Lobato, que materializavam para as crianças a Emília, o Pedrinho, a Narizinho, a Dona Benta, a Tia Nastácia e o Visconde de Sabugosa. Além disso, só um odioso livro chamado João Felpudo, que mostrava as consequências nefastas dos maus hábitos de higiene e aterrorizava as crianças com as consequências de não cortar as unhas ou o cabelo e não tomar banho.

A qualidade do livro - traduzido do alemão, segundo uma amiga versada na cultura germânica - era discutível quando eu já tinha aprendido tudo o que precisava sobre higiene. O uso do desodorante, se bem me lembro, nem era mencionado... Já aos 20 e alguns anos achei uma velha cópia em casa e percebi que o belo chapéu que eu admirava no João Felpudo era uma vasta cabeleira que o autor chamava de imunda e imprópria, mas, na década de 1960, já havia virado moda, lançada pelo roqueiro Jimmy Hendrix e pela ativista política de esquerda americana Angela Davis.

Em suma, todas essas lembranças são para dizer quão afortunados somos por dispormos de tecnologias fantásticas como as que nos propiciam as novas ferramentas eletrônicas.

Tomara que a campanha liderada pela Wikipédia para barrar de vez a tramitação no Congresso americano dos projetos de lei do Sopa (Stop Online Piracy Act) e do Pipa (Protect Intellectual Property Act) - que pretendem acabar com a pirataria proibindo a difusão do conhecimento - acabe dando certo. Esqueceram-se os autores do projeto da destruição criativa do capitalismo, de Joseph Schumpeter, que (em Capitalismo, Socialismo e Democracia) atribui aos produtores o custo de inovar e descobrir soluções para ganhar dinheiro e sobreviver por meio da competição, fornecendo mais, e não menos, alternativas aos consumidores e deixando a estes, e não à lei, a escolha do que querem ler, ver ou consumir.

Talvez seja a hora de rever o filme O Povo Contra Larry Flynt, o herói maldito da liberdade de expressão, que está paraplégico por causa do tiro de um fanático e segue publicando sua revista Hustler - de péssimo gosto, na minha opinião. Isso porque a Corte Suprema dos Estados Unidos decidiu que mais importante do que tudo é a liberdade de expressão - e agora dispondo da nova fronteira eletrônica dos livros, das enciclopédias e da revista Hustler na internet.

*Cientista político (ph.D pela Universidade de Chicago), é sócio da Early Warning: Oportunidade e Risco Político. E-mail: alex@eaw.com.br